Jatene está na lista de propinas da JBS (Foto: Ricardo Amanajás)

Nome de Simão Jatene é citado na lista suja da JBS pelo ex-diretor Ricardo Saud (Foto: Ricardo Amanajás)

 

Mais um capítulo do escândalo que explodiu no Brasil na semana passada, com a delação de Joesley Batista, um dos donos da JBS, veio à tona ontem, em reportagem publicada pelo jornal Estadão, de São Paulo. Em seu acordo de delação premiada, a empresa afirmou ter entregue R$ 1,4 bilhão em propinas a políticos de praticamente todos os partidos do País. Na lista suja da JBS – escrita pelo ex-diretor de relações institucionais da empresa, Ricardo Saud -, está o nome de 16 governadores eleitos em 2014. O nono da lista é Simão Jatene, do PSDB, reeleito governador do Pará, em 2014.

 Já cassado e inelegível, sob acusação de crimes graves, como corrupção e improbidade administrativa (leia abaixo), Jatene aparece entre outros dois governadores do PSDB: Geraldo Alckmin, de São Paulo, e Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul (veja a lista completa abaixo). Os valores que cada governador recebeu da JBS ainda não foram revelados. Mas especialistas afirmam que, considerando o total envolvido, deve ultrapassar os R$ 30 milhões para cada. Entre os partidos, o campeão da lista de propinas da JBS é o PT, que embolsou quase R$ 610 milhões, ou seja, cerca de 43,5% do total de R$ 1,4 bilhão. Os repasses ilegais envolvendo a JBS podem ser ainda maiores, caso sejam consideradas todas as doações eleitorais legais.

 PARTIDOS

 As planilhas da JBS mostram, também, que a empresa ajudou o PT e o PSDB a comprar partidos para que estes apoiassem as candidaturas de Dilma Rousseff e Aécio Neves, respectivamente. Em outra lista, também escrita por Ricardo Saud, aparece o título “partidos cooptados (parceiros) PT”.

Rodrigo Rollenberg (PSB) – Governador do Distrito Federal

Beto Richa (PSDB) – Governador do Paraná

Geraldo Alckmin (PSDB) – Governador de São Paulo

Simão Jatene (PSDB) – Governador do Pará

Reinaldo Azambuja (PSDB) – Governador do Mato Grosso do Sul

Camilo Santana (PT) –Governador do Ceará

Matéria do jornal ‘Estadão’ revelou que JBS distribuiu R$ 1,4 bilhão em propinas a políticos pelo Brasil (Foto: Internet)

OUTROS ROLOS DE JATENE

CASSAÇÃO – Em março o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Pará cassou o mandato do governador Simão Jatene (PSDB). A relatora da ação, juíza federal Luciana Said Daibes, considerou que Jatene utilizou mais de R$ 100 milhões do programa Cheque Moradia para comprar votos para sua reeleição em 2014.

EMPRÉSTIMO – Simão Jatene solicitou à Assembleia Legislativa autorização para um empréstimo de R$ 523 milhões para o programa “Municípios Sustentáveis”, que será gerenciado pela Secretaria Extraordinária de Estado de Municípios Sustentáveis, para a qual o governador nomeou sua filha, Izabela Jatene. Oposição diz que dinheiro será usado para fazer campanha eleitoral em 2018.

BETOCARD – Simão Jatene também é acusado de improbidade administrativa por ter beneficiado a rede de postos de gasolina do filho, Beto Jatene. De acordo com o Ministério Público, o abastecimento ocorria em dois postos de gasolina de Beto Jatene. O posto que mais vendeu para a PM do Pará, entre janeiro de 2012 e outubro de 2014, recebeu mais de R$ 5 milhões.

CASO CERPASA – Jatene foi indiciado por crime tributário por ter anistiado dívidas de ICMS da Cervejaria Cerpa S/A, causando prejuízo de cerca de R$ 83 milhões, em valores atuais, aos cofres do Estado do Pará. O crime aconteceu em 2002, quando Almir Gabriel, que era governador, prometeu anistiar a empresa caso concordasse em contribuir para a eleição do candidato à sucessão dele, que era Simão Jatene.

(Diário do Pará)

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  Mais um capítulo do escândalo que explodiu no Brasil na semana passada, com a delação de Joesley Batista, um dos donos da JBS, veio à tona ontem, em reportagem publicada pelo jornal Estadão, de São Paulo. Em seu acordo de delação premiada, a empresa afirmou ter entregue R$ 1,4...