20160615-manifestacao-homofobia O Pará registrou 66 ocorrências de crimes discriminatórios em 2017. Os dados são da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup), que revelaram também o número de ocorrências do mesmo crime em 2016, que foi de 72.

A homofobia, que é a violência causada pela intolerância à diversidade sexual, não é considerada crime no Brasil. No Pará, ela causou um histórico de violência com uma triste característica: a crueldade. Um homem foi agredido por guardas municipais enquanto estava namorando com o seu parceiro em uma praça de Belém.

“Humilhado, discriminado… E a gente fica com a sensação de que a gente não é nada para a sociedade, que a gente é lixo ou que a gente tem que ser maltratado. Eu questionei com ele: Por que você não vai lá com casais héteros? Parece que foi um estopim para ele começar a dizer palavras de baixo calão”, contou a vítima que não quis se identificar.

Em junho de 2016, Rui Cabral Espíndola foi assassinado em um terreno abandonado às margens da rodovia BR-316, no centro de Castanhal. Segundo a polícia, o caso estaria relacionado à homofobia.

Em outubro do mesmo ano, uma pessoa gravou uma travesti sendo agredida por dois taxistas na avenida Visconde de Souza Franco, no bairro do Reduto. Os agressores foram indiciados por lesão corporal grave.

Subregistro de crimes esconde realidade

Mas para os movimentos sociais que representam os LGBTs o número pode ser bem maior, porque alguns casos a polícia não classifica como crimes motivados por homofobia.

“Falta capacitação, sensibilização dos próprios servidores, policiais, delegados. Porque muito das vezes a gente recebe muitas queixas dos LGBTs porque foram em uma delegacia que não é especializada e não receberam um atendimento adequado e humanizado”, denuncia Leonardo Bitencourt, coordenador do Movimento LGBT do Pará.

No Pará, há apenas uma delegacia voltada para o atendimento especializado para crimes de discriminação, e fica em Belém. De acordo com a delegada responsável pela Divisão de Crimes Discriminatórios, algumas vítimas têm medo de denunciar o agressor, mas as vezes que a denúncia ocorreu os casos foram investigados.

“No decorrer da investigação, se caracterizar o crime de ódio eles são investigados. Na delegacia de Crimes Discriminatórios nós já tivemos um caso onde uma adolescente foi agredida, com lesão de natureza grave, o inquérito foi concluído com indiciamento e com denúncia do Ministério Público”, conta Hildene Falqueto, delegada da Divisão de Crimes Discriminatórios.

Denuncie

O fiscal de loja Gleydson Oliveira não teve medo de denunciar o seu agressor. Ele trabalhava em um supermercado quando foi insultado por um dos clientes. Ele foi à delegacia e registrou o boletim de ocorrência.

“O meu caso foi resolvido, pediu desculpa e está de bom tamanho. Porém, no caso dos meus companheiros, de amigos meus que perderam a vida, deveriam ser olhados com mais cuidado, com mais atenção, porque isso vai se repetir se não tiver uma punição maior”, alertou Gleydson.

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 O Pará registrou 66 ocorrências de crimes discriminatórios em 2017. Os dados são da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Segup), que revelaram também o número de ocorrências do mesmo crime em 2016, que foi de 72. A homofobia, que é a violência causada pela intolerância à diversidade sexual, não...
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